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Francisco António Campos está a completar dez anos na presidência da Filarmónica de Cabanas de Viriato – Entrevista ao Farol da Nossa Terra

Francisco António Coelho Pessoa da Silva Campos, nascido em 18 de Novembro de 1956, é natural da cidade da Beira (Moçambique), de onde veio para o Continente em 1959.

Em 1977 iniciou a actividade laboral na empresa Abastecedora de Mercearias, Lda, com sede em Cabanas de Viriato, onde permaneceu até ao ano 2000. Conjuntamente com o pai e o irmão, fundou em 1982 a empresa António da Silva Campos & Filhos. Em 2001 assumiu a gerência da empresa ILPAL, da qual é sócio.

Em 2001 assumiu também as funções de director da Caixa de Credito Agrícola de Nelas e Carregal de Sal, sendo hoje administrador da Caixa de Crédito Agrícola de Terras de Viriato, resultante da fusão das Caixas de Nelas e Carregal com Viseu e Tondela.

Exerceu, paralelamente, a actividade de Desenhador de Construção Civil, até 2013, tendo frequentado em 1976 o Curso de Engenharia Civil na Universidade de Coimbra. Colaborou com várias instituições/associações do concelho de Carregal do Sal, nomeadamente: Sport Cabanas de Viriato e Benfica; Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cabanas de Viriato (onde foi director e bombeiro); Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato; Conselho Económico da Igreja Paróquia de Cabanas de Viriato.

Foi presidente da Junta de Freguesia de Cabanas de Viriato de 1980 a 1983; membro da Assembleia Municipal de Carregal do Sal de 1980 a 1998; e presidente da Assembleia Municipal de 2001 a 2005. É vereador da Câmara Municipal desde 2013 (sem pelouro), eleito nas listas do PSD.

Presidente da Direcção da Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato desde 2005, por recondução nos sucessivos mandatos, está agora a completar o quinto mandato e 10 anos nesse cargo. Torna-se, portanto, oportuno fazer esta entrevista, também muito merecida.

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Farol da Nossa Terra (FNT) – No seu entender, o que representa para Cabanas de Viriato ter uma Filarmónica com 143 anos?

Francisco António Campos (FAC) – Diria que a pergunta não se põe para Cabanas de Viriato, pôr-se-á para o concelho. Usamos como lema “orgulho da nossa Vila prestígio do nosso Concelho”. Está tudo dito! A Sociedade Filarmónica nasceu em 1872, criada pelo Padre José Cunha, nunca parou a sua actividade, venceu escolhos, ultrapassou divergências, deixou os bairrismos e soube superar os limites da então aldeia, sendo hoje reconhecida pela sua qualidade, pelo seu dinamismo e pela sua idade. Granjeou o respeito do seu estatuto como maior e mais velha instituição associativa deste nosso concelho.

FNT – Que sentimento lhe dá presidir esta colectividade única e mais antiga do concelho?

FAC – Quem assume este lugar fá-lo com imensa responsabilidade, “carregando” todo o peso de um passado que nos orgulha, mas nos responsabiliza cada vez mais. O sentimento único que me norteia é levar tão longe e com dignidade o prestigio desta casa

FNT – Foi fácil substituir os saudosos Fernando da Silva Campos e Júlio de Barros Mendes?

FAC – Peço desculpa, mas a pergunta não se pode pôr relativamente ao meu enorme amigo Mendes. Substituí, isso sim, Fernando Campos. Sei onde a pergunta quer chegar, pois na prática o rosto da Sociedade Filarmónica, a imagem da dinamização da colectividade deve-se a Júlio Mendes, sempre acompanhado pelo fiel companheiro Fernando Campos. Ambos são credores e merecedores do respeito, da admiração, desta casa e também do concelho em variadíssimos aspectos da vida pública. Sobre isso, quero dizer que defendo e defenderei que não existem na vida insubstituíveis, mas há pessoas que fazem muita falta e o Mendes foi um desses, não só aqui mas no concelho. Penso que só há uma forma de lhes reconhecer o trabalho desenvolvido, é trabalhando. Assim fiz e consegui, graças a gente enorme que comigo quis e quer continuar a deixar, aos filhos e netos, bem viva a obra que todos que nos antecederam, e foram muitos, criaram e engrandeceram.

FNT – Como se deve entender que Fernando Campos não tenha um monumento idêntico ao de Júlio Mendes?

FAC – Sendo o Fernando Campos meu tio, penso que esse reconhecimento, a ser feito, deverá sair de fora do âmbito da família. Na família todos sabemos bem o seu valor, a sua iniciativa, o quanto deu de si, da família, o quanto se e nos prejudicou, na vida pessoal e empresarial, para se dar à sua terra natal e ao seu concelho.

FNT – Quais as maiores adversidades com que se deparou?

FAC – As dificuldades, não adversidades, existem em todos os aspectos da nossa vida. Aqui também, mas com esforço e amor que se coloca no que se faz, tudo se supera.

FNT – Quer isso dizer que nunca se deparou com qualquer contrariedade em tudo o que quis ou idealizou nestes dez anos de presidente da Direcção?

FAC – Não quer dizer nada! Como disse, apenas houve dificuldades que sempre, com muito bom senso, fomos superando. Todos sabem que nesta casa ninguém pode trabalhar contrariado, aí, sim, haveria contrariedades. Somos uma equipa e temos de “ralhar e discutir”, mas colocar sempre, acima das nossas vontades, como mais elevado, os interesses desta “velha senhora”.

FNT – Como se consegue conciliar a diversidade de valências que a Filarmónica possui?

FAC – Ninguém faz nada sozinho! Os sete grupos que hoje compõem esta instituição associativa têm pessoas responsáveis, de coração enorme, com fortes princípios de vida, que comigo partilham o mesmo sentido de responsabilidade. Oferece-me referir o nome do maestro Evaristo Neto, do Rui Costa, da Catarina Carvalho, da Ana Cláudia, que, sem menosprezar todos os restantes colegas dirigentes e dos elementos de todos os grupos, são grandes condutores de pessoas num leque que vai dos seis aos oitenta anos. Somos hoje cerca de 150 pessoas que integram esta enorme família.

FNT – Especificamente, que importância atribui a cada valência?

FAC – Todos os grupos sabem quanto gosto deles, mas também sempre referi e sei que todos assim o entendem “a jóia da coroa” é banda.

FNT – Das acções promovidas por cada um desses grupos, o que pode salientar?

FAC – De tanto e tão bom trabalho, se referisse casos pontuais, porque foram muitos, gastaria muito espaço ao jornal. Há no entanto um trabalho colectivo que foi excepcional e de nível muito elevado, sem falsas modéstias. Tratou-se do Tributo à Fundação Lapa do Lobo.

FNT – Financeiramente, como funciona cada um dos grupos da Filarmónica?

FAC – Aqui só há uma bolsa. Falamos, discutimos, zangamo-nos saudavelmente e satisfazemos, com muito rigor, as necessidades que cada grupo apresenta.

FNT – Está a completar dez anos na presidência da Direcção. Que balanço pode fazer da sua condução da Filarmónica durante esses anos?

FAC – Quem tem que apreciar o que fiz, ou não, serão as pessoas. Há uma coisa que posso garantir: O que fiz, fiz com amor, fiz com rigor, e como faria se a instituição fosse minha propriedade.

FNT – O que mais prazer lhe deu concretizar?

FAC – Nada neste tipo de instituições está concretizado, vamos concretizando. A melhor coisa que levo desta casa são as crianças que os pais nos entregam e que vemos desabrochar como adolescentes, tantos que hoje já com cursos superiores ainda se mantêm ligados a nós. Se ajudámos, se contribuímos para a sua formação como homens e mulheres, isso vale mais que tudo!

FNT – Vai renovar a continuidade na presidência da Direcção?

FAC – Não tenho essa intenção. Tenho para mim que a renovação é saudável. São dez anos, que eram para ser inicialmente dois. Penso que conseguiremos encontrar pessoas para formar um novo corpo directivo. Há pessoas capazes e válidas, gostava e necessito de parar. Quem sabe um dia, se tiver vida e saúde, possa voltar a dar a minha colaboração!

FNT – Esgotou-se, então, tudo o que se propôs fazer pela Filarmónica?

FAC – Nunca propus fazer nada de concreto, nem tracei objectivos. Quando cheguei era importante congregar vontades, abanar a instituição e colocar a minha forma de pensar, esta organização. Assim foi. Com a boa vontade dos responsáveis e colaboradores, com trabalho, muito trabalho, as oportunidades foram surgindo e sairei com a consciência tranquila de não ter regateado esforços para honrar, da forma que sei, o passado da Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato.

FNT – No Festival de Bandas do passado Domingo foi feita uma homenagem ao saudoso Vítor Vieira, traduzida na dedicação dos filhos à música. Que simbolismo teve o momento dessa homenagem?

FAC – Não se tratou de uma homenagem ao Vítor Vieira. O Vítor Vieira foi, como bem referiu na altura o Sr. Pereira Dias, um dos maiores Cabanenses da sua época, pelo que, estou convencido, merece mais que aquela referência aos seus três filhos, que com idades tão diferentes integram a nossa Banda. São um exemplo raro e quisemos fazer notar ao público presente que o Vieira, pelo seu exemplo de espírito associativo, já deixou passado ao filho mais velho, que, por sua vez, já conseguiu endossá-lo aos irmãos, sempre, sublinhe-se, com o enorme apoio da mãe, que não regateia esforços para os acompanhar. Pela boca do maestro Evaristo Neto, de forma sentida, foi referido que, lá onde está, o Vieira estará feliz ao ver os três filhos nesta colectividade que tanto serviu.

FNT – Tem algo que queira acrescentar como remate desta entrevista?

FAC – Teria de referir os nomes de muita gente. Deixo aqui uma referência ao colega membro dos corpos directivos que nos deixou sem acabar o mandato. O Fausto Nascimento, o nosso “Cobra”, foi um leal e dedicado exemplo de amor a esta casa. Na sua recordação fica um abraço a todos os que comigo partilharam esta década. Antes de terminar, quero deixar o meu reconhecimento especial ao Padre Marco, à Junta de Freguesia, à Câmara Municipal, pelo apoio e carinho que quiseram demonstrar pelo nosso trabalho. Em particular à Fundação Lapa do Lobo, na pessoa do Dr. Carlos Torres, Esposa e Filhos, um bem-haja do tamanho do mundo. Nunca esta casa lhe conseguirá reconhecer o apoio fundamental para o trabalho de formação e equipamento que a nossa Academia desenvolve para abastecer a Banda Filarmónica.

. Lino Dias

 

 

Actualizado em Quinta, 05 Novembro 2015 17:29
 
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